sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Espelhado no mar

Ao lusco-fusco do dia, que se despede
Apraz-me escutar-te, beleza melódica do mar.
Viagem sem tempo, as tuas continuadas vagas
Sempre outras, sempre novas
Hipnotizam-me, na sua falsa monotonia.
Extasiado, alcanço-te apenas com a imaginação
Sentindo nas tuas cadências de espuma brilhante,
A chegada mágica do teu errar, a ir e a voltar.
Espectador e só, continuo a buscar
Continuo a escutar e a esperar.
Mas tu afastas-me de mim,
Afastas-me tanto,
Que deixo de me ver e sentir,
Actor de teatro, no mundo e na vida.
Magia benfazeja,
Fazes crescer o meu eu,
Que se busca e escuta e espera,
Até ter um infinito enorme, sem tamanho.
E, então, por artes mágicas só de ti sabidas
Trazes-me à superfície o nada e o sublime.
E de mim para mim, então eu penso
Vais ainda por cá ficar e andar.

Miguel Almeida, in Ser Como Tu

1 comentário:

  1. No seu blogue respira-se o silencio da beleza e da poesia...

    Obrigado
    N. Ferreira

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