Quando eu morrer
Quando eu morrer
não me dêem rosas
mas ventos.
Quero as ânsias do mar
quero beber a espuma branca
duma onda a quebrar
e vogar.
Ah, a rosa dos ventos
a correrem na ponta dos meus dedos
a correrem, a correrem sem parar.
Onda sobre onda infinita como o mar
como o mar inquieto
num jeito
de nunca mais parar.
Por isso eu quero o mar.
Morrer, ficar quieto,
não.
Oh, sentir sempre no peito
o tumulto do mundo
da vida e de mim.
E eu e o mundo.
E a vida. Oh mar,
o meu coração
fica para ti.
Para ter a ilusão
de nunca mais parar.
(Alexandre Dáskalos)
Onde as palavras dos outros se reunem às nossas num espaço de silêncio e reflexão
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Companheiros
Vinde companheiros!
Que os vossos braços se abram
Aos nossos braços de amigos.
– Toma uma cadeira. Senta-te. Conta:
Desditas, anseios, desventuras
e desse fulgor ardente que se adivinha
no teu olhar, cavado das viagens,
como uma estrela numa noite morta...
Nós somos todos irmãos.
Ah, quando te invadir a solidão
e olhares à volta e sentires apenas
a presença perturbável dos teus ombros,
não estás só!
Vem até nós.
Estarás comigo.
Não será morta, a morta esperança
do teu olhar sem luz.
Mas, que fôlego ingénuo na aventura
te lançou em tão inóspitos lugares
deixando assim o teu lar, amigo?
Não contes, eu sei qual foi. Foi
essa vontade de produzir, de criar, de vencer...
Oh! nossa terra, oh nossa mãe!
Como se casam em nós os prodígios
da tua natureza forte!
O húmus inculto das florestas
brota em nós, freme em nós, canta em nós
no grito de todos os gritos,
na ânsia da tua descoberta!...
O amor dos nossos corações
transborda da nossa alma
como a força impulsiva dos teus rios...
Vês, companheiro, eu sou teu irmão,
toma a minha mão, dá-me a tua mão.
(Alexandre Dáskalos)
Vinde companheiros!
Que os vossos braços se abram
Aos nossos braços de amigos.
– Toma uma cadeira. Senta-te. Conta:
Desditas, anseios, desventuras
e desse fulgor ardente que se adivinha
no teu olhar, cavado das viagens,
como uma estrela numa noite morta...
Nós somos todos irmãos.
Ah, quando te invadir a solidão
e olhares à volta e sentires apenas
a presença perturbável dos teus ombros,
não estás só!
Vem até nós.
Estarás comigo.
Não será morta, a morta esperança
do teu olhar sem luz.
Mas, que fôlego ingénuo na aventura
te lançou em tão inóspitos lugares
deixando assim o teu lar, amigo?
Não contes, eu sei qual foi. Foi
essa vontade de produzir, de criar, de vencer...
Oh! nossa terra, oh nossa mãe!
Como se casam em nós os prodígios
da tua natureza forte!
O húmus inculto das florestas
brota em nós, freme em nós, canta em nós
no grito de todos os gritos,
na ânsia da tua descoberta!...
O amor dos nossos corações
transborda da nossa alma
como a força impulsiva dos teus rios...
Vês, companheiro, eu sou teu irmão,
toma a minha mão, dá-me a tua mão.
(Alexandre Dáskalos)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Não peças palavras
É voz o vento e o seu perdido rumo
O silêncio quebrou-se entre mitos
Onde quisemos apagar as nossas incertezas
Silêncio para a dor
para o amor e para a vida
A boca renega o que a razão não dita.
Só no silêncio o coração murmura
e deslisa a vida para o que a alma quer.
Abre em grandeza o mais pequeno gesto
Pagando dívidas de amor
E escorre o mais pequeno gesto
Para a grandeza
Em que o amor se tem.
E nasce na flor entreaberta
o pólen de todas as virtudes
Só no silêncio o amor desperta
E abraça a dor como um destino
de resignado pranto.
Só no silêncio a vida se descobre.
(Alexandre Dáskalos)
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