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quarta-feira, 24 de junho de 2009


Outono


Uma lâmina de ar
Atravessando as portas. Um arco,
Um flecha cravada no outono. E a canção
Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios
das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o
cachimbo como
Uma amarra. À espera do mar, esperando o
silêncio.
É Outono. Uma mulher de botas atravessa-
me a tristeza
Quando saio para a rua, molhado como um
pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras,
Quem sabe se
Da minha revolta última. Ou do teu nome
que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
Cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos
bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o
jornal e amam-se
Como se, de repente, não houvesse mais
nada senão
A imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas
palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura,
o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há
um muro
Que os meus olhos derrubam. Um estranho
vinho
Que a minha boca recusa. É Outono
A pouco e pouco despem-se as palavras.

(Joaquim Pessoa)




segunda-feira, 1 de junho de 2009


Amor Combate


Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E Primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade. Amor-cambate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.

(Joaquim Pessoa)

sábado, 31 de janeiro de 2009




Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. É sol. É Primavera.
Amor intenso. amor imenso. amor instante.
O nosso amor é uma arma. É uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.

(Joaquim Pessoa)