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domingo, 5 de dezembro de 2010

POR FAVOR NÃO ME FILTREM AS NUVENS

Por favor não me filtrem as nuvens,
Que eu quero passear à chuva
E atravessar a tempestade cantando!

Por favor não levem
As tempestades para vossas casas!
Deixem-me ao menos louco,
Despido de preconceitos abstractos,
Com meu corpo molhado,
Sem trapos,
A minha face lambida de água pura.

Olhem! Meus cabelos molhados,
Pingando ao som da chuva,
E esta denúncia de homem…
Encolhida num cacho de uva…

Por favor não me filtrem as nuvens!
Deixem-me, agora, só com a chuva!
Como um amante febril
Percorrendo de beijos
O ermo da sua loucura,
Como o quente da água pura
Que escorre do meu corpo,
Vaporizando liberdade.

(Rogério Martins Simões)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Abro os braços

Abro os meus braços
Abraço a natureza
sem firmeza nos passos
Pois o corpo já me pesa.
Alcanço o sol
Beijo a lua
Bebo a água
onde a água me leva...

Meu cheiro é rosmaninho...
Eis o meu percurso
Eis o meu caminho

Deixei fugir o tempo
Plano ao vento
É tarde...
A tarde é amena
Aceno lá de cima
Num tempo certo
Eis a minha alma serena
Vem céu!
Estás por perto.

(Rogério Martins Simões)

(Este poema é de um amigo muito sofrido, mas com uma alegria de viver espantosa. Um exemplo de vida para todos nós... Irei divulgar os seus poemas deliciosos de tanta beleza e simplicidade...)

sábado, 16 de outubro de 2010

CORAÇÕES NA AREIA


Quem deixou na praia o coração?
Que onda o irá apagar?
Uma gota de orvalho,
Uma sombra,
Um pé?
Talvez nem chegue à maré…

Quem irá apagar essa paixão?
Uma mão cheia de nada?
Uma sombra?
Um pé?
Basta uma onda...
Talvez não venha…
Resta uma lágrima!

(Rogério Martins Simões)