Mar
Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.
Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
o silêncio.
E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.
(Vinícius de Moraes)
Onde as palavras dos outros se reunem às nossas num espaço de silêncio e reflexão
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Poema de Natal
Para isso fomos feitos
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos...
Por isso temos braços longos
para os adeuses,
uns para colher o que foi dado
dedos pra cavar a terra
Assim será a nossa vida
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
um caminho...
entre dois túmulos
Por isso precisamos velar...
falar baixo...
pisar leve.
Ver a noite dormir em silêncio
Não há muito o que dizer
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor.
Uma prece por quem se vai.
Mas que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações
se deixem graves e simples
pois para isso fomos feitos
Para a esperança do milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos.
Hoje a noite é jovem
Da morte apenas nascemos...
Imensamente.
(Vinicius de Moraes)
Para isso fomos feitos
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos...
Por isso temos braços longos
para os adeuses,
uns para colher o que foi dado
dedos pra cavar a terra
Assim será a nossa vida
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
um caminho...
entre dois túmulos
Por isso precisamos velar...
falar baixo...
pisar leve.
Ver a noite dormir em silêncio
Não há muito o que dizer
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor.
Uma prece por quem se vai.
Mas que essa hora não esqueça
e por ela os nossos corações
se deixem graves e simples
pois para isso fomos feitos
Para a esperança do milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos.
Hoje a noite é jovem
Da morte apenas nascemos...
Imensamente.
(Vinicius de Moraes)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
(Vinicius de Moraes)
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