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sábado, 16 de outubro de 2021

O silêncio da palavra

 A palavra anoitece
veste a escuridão
segreda-me os intuitos
com um hálito de cacimba.
Rotas e rotas
desenhadas no tempo
contam-nos histórias
momentos,
de intensos saberes…

A palavra é o silêncio.
Um chilrear,
acorda-nos devagar…
A luz brilha
no horizonte
vestindo a palavra
de um nenúfar
apoteótico
coberto de ilusão.

A palavra arrefece
na mudança de mão
de voz
esquece-se
e na solidão
fica quieta
presa
na escuridão…

A palavra é o silêncio
a pedra,
a história
ou o tempo que morreu…
despida,
perdida,
cala-se então!

(Paulo Afonso Ramos)


domingo, 5 de julho de 2020

SEM UMA DESPEDIDA

Tenho cinco minutos do tempo que resta, tenho uma caneta em que a tinta lhe falha e falta-me a força, ainda assim, num último fôlego tenho uma voz rouca que procura por ti... em vão!
Ainda me faltam tantas palavras em tantas melodias para cantar ao teu ouvido, num cúmplice segredo...
E tu? Que sempre desejaste esse momento, sem nunca o pedires, sem que os teus olhos escondessem esse desejo em que um dia neles o li... nunca tive a coragem de assumir esse interpretação como a correcta, como a real...
Agora é tarde demais... porque te perdi! Agora é tarde demais, essencialmente porque te perdi...
Nem o tempo soube gerir, para oferecer a minha despedida!

(Paulo Afonso Ramos, in Mínimos Instantes)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Resta-me… o tempo!

Ficaram tantas palavras
por dizer…
tantos gestos
por fazer…
agora que o tempo foge
agora que a distancia aumenta
o meu sorriso
esbate neste espaço circunscrito…

Já sabia,
que o tempo nos fugia
e que a tertúlia
um fim teria…

Resta-me um rio
onde posso mergulhar
no mundo do silêncio
resta-me a chuva
como uma lágrima
de quem chora…
resta-me a ponte
que nos separa
e nos junta.

Resta-me…
a palavra com que luto
e me defendo
restam-me…
as madrugadas
com que me invento
renovado,
na esperança
na ilusão
de ler
de escrever
as palavras que moldam
o meu
o teu
e o querer de alguém
instalado no coração
do tempo…

Já sabia,
que o tempo nos fugia…

(Paulo Afonso Ramos)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Testemunho


As vezes procuro encontrar
As mesmas sensações
Os mesmos momentos
Que em criança trazia no olhar
Encontrei ventos
Que espalham desilusões.
É a diferença da idade
Sem poder recuar
É toda a realidade
Que me faz lutar (brincar).
Hoje, o meu brinquedo
É todo o medo
De poder acabar.
Vejo o tempo, fugir
Das minhas mãos
Sem me iludir.
Continuo a caminhar
Pelo sonho que construí
Deixo, as palavras do que aprendi.

nada mais tenho...


Paulo Afonso Ramos)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Nas lágrimas da despedida

Já não tenho palavras
as últimas morreram no verão passado.
E num funeral cheio de sinais
sinais de uma pontuação por conseguir
as palavras, no silêncio, encontraram o seu lugar.
A terra, o chão, que tanto pisei com avidez
e num cemitério desconhecido, distante dos olhares
lá estava eu com um sofrimento imaculado
a fazer o destino, numa despedida sofrida.

Tudo agora é memória
guardada no ventre da imaginação
faltam-me as palavras que escreviam a lucidez
faltam-me as outras, que escreviam esperança
faltam-me, sem que perceba, essa sensação
com que vibrava ao ler os teus passos
as tuas tormentas ou as brincadeiras perdidas
falta-me quase tudo, que tudo é o meu fim
que enterrou a alma dessa magia em desassossego.

Já não tenho palavras
roupagem do meu caminhar
agora sou, provavelmente, memória
que no tempo, aos poucos, também morrerá!

(Paulo Afonso Ramos, in "Passos espalhados pelo chão")

sábado, 19 de março de 2011

O amanhã

Navego no rio cor de fogo
sinto-te…
nessa árdua ausência
e o pôr-do-sol
foge-me… das mãos
como este dia enigmático.
Navego só…
com a solidão das águas moribundas

por ora,
sinto-me assim

preso nos desejos
no seio das inépcias

o que tiver que acontecer…
só o amanhã dirá!

(Paulo Afonso Ramos)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Vida

Essa mescla de sentidos
nobres
de ilusões e sonhos
feita das ondas
que acabam num praia
deserta…
A vida!
Essa alegria arco-íris
fugidia
esse saltimbanco
inquieto
que nos dá a emoção.
Grita-nos,
os caminhos
mostra-nos
as etapas
e nós…
ordeiros
seguimo-la!

A vida…
Somos nós!

(Paulo Afonso Ramos)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Noite

O sol raiou
a brisa apareceu
o espírito amainou
e o milagre aconteceu…

A escuridão
cobriu a cidade
uma luz de verdade
iluminou a razão!

Descobri quem sou
no espaço teu…
meu corpo
cheio de estrelas
vestiu-se de solidão.
Sou a alegria
que te embala
e adormece…

É no teu sonho
que estou
calma e serena!
Sou!
A tua noite
que te aquece…

(Paulo Afonso Ramos)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Será sempre uma vitória

Um olhar teu
aconchegado no meu regaço
será sempre um pedaço
tão belo e só meu...
Um sorriso oferecido
desse rosto eloquente
no meu olhar ferido
fomenta a minha locura ardente
do teu perfume...
da tua vontade...
de cada passo
será sempre
um gesto cadente
que afaga a minha alma
num corpo que se acalma.
Um abraço por acontecer
guardado em memória
faz nascer
uma admirável história
em que nada mais importa
em que nos basta
um cúmplice desejo
eleito.
Esta vida,
será sempre uma vitória.

(A nossa vitória!)

(Paulo Afonso Ramos)

sábado, 26 de junho de 2010

Hoje, deixo aqui um texto de Paulo Afonso Ramos. Um texto de uma prosa poética deliciosa... em que o autor transmite toda a intensidade das suas emoções. É, e muito bem, um verdadeiro "pintor das palavras". Sem mais comentários, aqui vai o texto:

SÓ MAIS ETA NOITE!

Sinto-te envolta no névoa dos sentidos. Sinto as cordas que amarram o teu desejo e que ferem o teu corpo emergente dessa tortura inacabada.
Vejo os teus sonhos, de esperança e de liberdade, a fugirem da tua cama no silêncio da noite escondida e fria. Vejo o teu corpo, ardente, que repousa, desgastado, das batalhas evocadas contra o vento... um vento que sopra de todas direcções!
Sinto o teu acordar... vejo esse sorriso por acontecer. Uma palavra pensada que nunca vais dizer e no espaço de um passo, deixas cair um bom dia...
Revigorada! Avanças para esse novo dia.
Nunca saberás que a noite foi tumultuosa, nem sentirás o esforço empregue nessa missão enjeitada de laços de desejo... é segredo.
Só as paredes sabem, pintadas de um neutro sabor e nunca dirão as viagens que aconteceram... nunca, por outras cores que as pintes serão sempre mudas.
E o cansaço trai-te, empurra-te para mais uma noite longa. As paredes abrem-me um espaço para entrar em segredo. Fico só mais esta noite!

(Paulo Afonso Ramos, in Mínimos Instantes)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Poema demolido

Há uma lágrima no canto do olho
desse menino inocente
que entre silêncios respira
os desejos do amanhã
há uma lágrima tímida
que esconde as esperanças perdidas
nos dias que já morreram
há, nesse olhar enigmático, a dor
a dor de existir.

As imagens que se repetem
nas televisões do mundo
e que não trazem as poeiras
ou os cheiros das ruas
não mostram as tristezas
não contam as lágrimas perdidas
nas noites de sobressaltos.
Há histórias escondidas
de sorrisos e memórias esquecidas.

Mas em cada criança
há um poema que há-de surgir
e será a mais linda flor
que o mundo um dia viu florir!

Paulo Afonso Ramos

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Trago

Trago rosas... Senhor
e outras flores
trago um amplo sabor
entre mesclados odores
que subtraem as dores.

Trago a maresia
que afasta qualquer heresia
trago um sorriso
que é tudo o que preciso.

Trago também um perdão
que hei-de entregar
ao silêncio da confissão
que um dia há-de chegar
Trago paz neste meu olhar.

(Paulo Afonso Ramos)

domingo, 28 de março de 2010

Cinco Sentidos

Os meus olhos choram
por não te verem
por não te terem
sofrem assim.
O teu cheiro
rosa por inteiro
encanta-me
em lençóis de cetim
perfumados
de ti e presos em mim.

Saboreio-te na ausência
num bocado perdido
toco-te além mar.
Oiço-te gritar
oiço o teu pedido
rendido
num marasmo perfeito.
Aqui moram
cinco sentidos que choram
por te ter presa no meu peito.

(Paulo Afonso Ramos)

quinta-feira, 4 de março de 2010

No âmbago do pensamento

É na paz que adormeço o olhar
nesse manto de sentimentos silenciosos,
apetecidos, e sempre bem guardados

e no sonho, faço a viagem do querer
quero chegar longe – e chego
quero estar perto – e estou

e no olhar dessa paz
que esse corpo desnudo desperta
nasce cada dia,
e em cada dia renasce a noção
da verdadeira razão de ser
que é - saber dar e receber.

(Paulo Afonso Ramos)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Porque o coração quer ir contra a razão

Tenho presa a minha vontade
nessa teia surpresa
dos dias esquecidos
tenho um coração
dilacerado
que no cansaço das noites
adormece nas lágrimas
dos meus sentimentos perdidos...
Rasgo a emoção
que escrevo na folha da minha vida
rasgo-a... em silêncio.
(Só eu sei desse sofrimento.)

Porqe o coração quer ir contra a razão
se o meu vazio
é preenchido pelas ausências
pelas tormentas
que marcam um cravado... Não!
Não vás por aí... diz-me a razão
não fiques, não peças perdão!

Trago no peito
essa pergunta sem resposta
que mata os meus instantes
e apaga qualquer noção
dos meus sonhos
tenho um coração
que me empurra para o devaneio
em que me sobra a razão
que entremeio me diz, Atenção!

Porque o coração quer ir contra a razão?
Porque a razão não quer estar no coração?

Um dia saberei
as respostas que procuro
sábio momento seguro
que agradecerei.

Tenho presa a minha razão
nessa teia da verdade
dos dias que chegarão
bem adentro da minha realidade

E o coração caminhará com a razão
de mãos dadas
num mar de felicidade.

Hoje... já espero por ti!

(Paulo Afonso Ramos)

domingo, 22 de novembro de 2009

O Último Sonho

São lágrimas que escondo.
Escondendo assim o meu sentir.
Se o sol pudesse secar o meu rosto
se um outro sorriso pudesse soltar o meu
Não esconderia o sentimento desse contentamento.
Arado.
E na palavra estendida ao vento lançava o tormento.
Deixando-o fugir de mim...
Não. Nunca seria mais um abandonado
antes um louco, um descrépito, ou outro apaixonado
e no tropel
escreveria as confissões
de lustro, num mágico papel
escreveria as ambições, perdidas, no teu olhar
faria dessas folhas, as vontades, das alucinações
num quase tempo de amar
desse terno cinzel
com o qual esculpi
o meu desejo desenhado em ti.

Faria de ti
o meu último sonho.

(Paulo Afonso Ramos, in "Caminho da Vontade")

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eterno Apaixonado

A vulgar expressão
Esconde o enigma dos sentimentos
Que o sorriso aproxima
No acto sem noção
Num misto de alegria e estima
Que erguem os sóbrios momentos.
O frio arrefece
O circuito da razão,
Melhora e aquece
O poder da união.
Desejo comunicar
Caminho para amar
Janela aberta, à imaginação.
Fogo cruzado
Hino dos sábios
A ser música, é Fado.
Bela, é a divina relação
Que o olhar pode ver
Sem a felicidade desaparecer.

(Paulo Afonso)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dom Sem Tom

Este meu jeito
De dizer
De Ser
Em que abro o meu peito.

Tanta coisa que tenho feito
Neste sublime sofrer
Ébrio poder…
Que nem sei se é defeito.

Porque nunca minto?
Porque digo sempre o que sinto?
Sem malícia.

Vou tocar-te
Vou magoar-te
Com esta minha carícia.

(Paulo Afonso Ramos)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


Adeus

Molhei os pés nessa onde
que rebentou no meu olhar
e o pôr-do-sol sorriu
num aceno de despedida.

A brisa saudou-me
num brinde de nostalgia
e o mar inquieto
murmurou o secreto desejo.

Na passagem do testemunho
despedi-me do rosto (que partiu)
fiquei com as lágrimas
e a solidão da noite.

Amanhã voltarei.

(Paulo Afonso Ramos)

terça-feira, 28 de julho de 2009


Mar

Mistério amor recôndito. Mar... essa palavra exppresa com leviandade, quase sem noção da sua força, da sua potência exposta na nossa vida.
Casa da natura, com ondas de viagens oceânicas onde a vida acontece nos silêncios da cumplicidade dos seus habitantes diversos...
Magia... das dispersas fontes de inspiração dos azuis sobrepostos. Cores desenhadas.
Areias... que sustentam um mundo escondido em segredos protegidos e proibidos.
Respeito... que as alternâncias impõem. Que as intempéries provocam...
Deste lado, em terra firme, sempre que posso vou visitar-te para acalentar a minha saudade, para sentir a tua mensagem...
Depois, depois volto às aventuras do quotidiano mais preperado e com maior capacidade para entender a vida, sempre pronto para voltar para perto de ti!
Difícil de entender... difícil de explicar esta nossa relação desconhecida...

(Palavras escritas por Paulo Afonso Ramos sobre o "meu" mar, o "nosso" mar...)