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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O RANGER DE UMA SAUDADE

 Deitaste o meu corpo nas dunas, 
deixaste as palavras voarem com o vento.
Com cuidado retiraste o véu
feito com fios de lágrimas
que me cobre a alma... e sorriste.

Ousaste ver o brilho dos meus olhos.
Ousaste sentir o calor do meu corpo.
Deixaste versos espalhados na minha pele,
palavras de ternura nos meus lábios.
Deixaste a loucura no desejo de te ter...

Um sonho rendilhado de silêncios
que vai falando, baixinho... muito baixinho.

Ouve-se o ranger de uma saudade
que tenta crescer... alimentada por sussurros,
regada com ausências.
A terra é o sentimento que nos une.

(Vanda Paz, in Brisas do Mar)


segunda-feira, 11 de maio de 2020

NÃO ESPERES MAIS POR MIM

Segue o caminho da noite,
não pares.
Não esperes palavras minhas,
segue e vive.
Procura sorrisos,
corpos
que te encantem...
Caminha pelo dia
sem mim.
Preenche os teus pensamentos
com o calor do sol,
ocupa os teus olhos
com as cores
que encontras...
Não esperes mais por mim,
se quiseres o meu olhar
procura no céu,
estarei lá a brilhar
para ti...

Se quiseres o meu corpo
entra no mar
sentirás a força do meu abraçar.
Mas,
não esperes mais por mim.
Calarei o meu amor por ti,
guardarei os meus sentimentos
como jóias antigas,
recordações
que não conseguimos largar.
Ficarão num guarda-jóias,
a chave será enterrada
naquela praia
que não nos esquece...
Sabes que te quero
e é por isso
que te peço.
Não esperes mais por mim.

(Vanda Paz, in "Brisas do Mar")

quarta-feira, 13 de março de 2013

ABRAÇO O TEU SILENCIO

Oiço um novo ritmo
no meu coração
...quebro a promessa.

Sinto o sangue quente
a ultrapassar qualquer limite.

Encontro-me infinitamente
a olhar o azul do céu,
a cheirar um rosa vermelha
e a sorrir.

Sinto-me a planar
no significado
das tuas palavras
...uma a uma...
declamadas num livro teu.

Sinto a intensidade
do teu beijo
...letra a letra.

Abraço o teu silêncio
e sonho
um dia encontrar o teu olhar.

Vanda Paz, in Brisas do Mar

terça-feira, 20 de julho de 2010

Solidão

Olho o vazio
grito o horizonte,
esqueço
quem partiu,
rompo
por entre o monte.
Nado no céu,
corro sobre o mar,
meu coração chora
por não te encontrar.
Mando nas nuvens
uma mensagem.
Um pensar...
Logo se desfazem
para não poder
te amar...

As lágrimas escorrem
na solidão
do meu sonhar.
Os sentimentos
por ti morrem,
na incerteza de
um breve olhar.
Meu corpo
escorrido
num chão
a secar...
Tudo está perdido
num poema parido
em que tudo é ilusão
breve estrela a cintilar.

(Vanda Paz)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MEU SEGREDO

É na poesia
que trago
o meu segredo.
Embrulhado
em palavras doces
com laços de paixão.

É no mar
que guardo
o meu segredo.
Revolto,
em ondas de devaneio
como a espuma fugaz
de ilusão.

É com a lua
que partilho
o meu segredo
nas longas madrugadas
de solidão.
Sentindo o desejo
de alguém que longe
sente também o meu lampejo.

(Vanda Paz, in Brisas do Mar)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Abraço

Passo a passo
percorro o areal
vou de encontro
ao vento
respiro o ar
puro
do momento.
Sinto-te,
sinto-te comigo...
Vejo-te nas pegadas
que ficam pata trás
na areia.
Ouço-te
no grito das gaivotas.
Sinto-te
num abraço
de saudade,
daqueles longos abraços
em que transmitíamos
as nossas vidas,
os nossos sentimentos.
Sem olhares
sem palavras
só com o calor
dos nossos corpos
num abraço imenso.

Agora abraço o vento...

(Vanda Paz)

terça-feira, 2 de março de 2010

Amanhã

Amanhã
quando me cruzar
no teu caminho
e olhar-te nos olhos,
quero sentir
as palavras que escreves.
Quero que fixes
o teu olhar no meu.
Quero sentir a tua coragem
num abraço.
Quero respirar
o teu desejo por mim.
Quero amar os teus lábios
mum momento eterno.

Amanhã
Quero... homem poeta,
que das palavras faças gestos.
Dos nossos corpos
um poema...
Da poesia
o nosso destino...

(Vanda Paz)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Beijo-te

Na valsa da vida absorvo as cores das flores,
das estrelícias, das rosas, das orquídeas.
Misturo-as nos sentimentos que trago
e tento reencontrar as cores do sorriso.
Junto o canto dos pássaros nas minhas mãos
e componho a melodia do meu silêncio.
Danço com o sol por cima de um manto de neve
e afundo-me em sonhos guardados em blocos de gelo.
Vejo-te num deles... com o amor que trago no olhar
o gelo derrete e tu vens até mim.
Sussurras-me as cores do desejo.
Entregas-me a melodia da nossa locura... na minha mão.
Percorro o meu corpo em palavras quentes.
Entrego-te o calor da minha voz.
E sempre que a memória me traz os teus lábios... beijo-te

(Vanda Paz, in Brisas do Mar)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O RETORNO DE UM BEIJO

Deixo que as pétalas das rosas me beijem a face, que o cheiro
da terra lavrada me leve ao lugar onde mantenho o pensamento
fértil de sonhos.
Deixo que me iluda quando vejo uma águia voar, uma criança
sorrir.

Mas é quando olho o Homem que vejo os meus sonhos guardados
num quarto escuro e vazio... fechados, empestados de
bolor agoniante.

Trago a beleza da vida em palavras, encho a folha branca,
vazia, de amores, oceanos, de luares, de sonhos...
Mancho as letras com as lágrimas da realidade, rasgo folhas
de papel e choro... caem-me as palavras dos olhos... as frases
enrolam-se na garganta... a angustia de viver chega a ser
inquietante... o poema faz-se no peito.
Olho para a imensidão do mar e vejo corpos desalinhados,
desmembrados, queimados.
Olho para a fonte da saudade e vejo lágrimas de crianças a
jorrarem na esperança de encontrar um abraço quente... que
não vem.

Ergo-me do cansaço de quem sou, componho-me e vejo-me
sorrir esperando o retorno de um beijo... meu alimento, minha
sobrevivência.
Tudo o resto já não importa.

(Vanda Paz, in Brisas do Mar)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Calo

Calo um novo amanhecer.
Calo as palavras
surdas
aos olhos de quem as lê.
Calo os sentimentos,
as lágrimas ruidosas
que escorrem
por uma face cansada.
Calo um olhar de esperança,
um coração parado,
um corpo abatido.
Calo as frases
ditas com loucuras,
com paixão.
Calo as madrugadas
por si já silenciosas...
Calo as marés
dos meus pensamentos...
Calo o desejo,
calo o querer,
calo tudo
para poder ouvir o que queria.

Calo a vida... calo a poesia...

(Vanda Paz, in Brisas do Mar)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Chama-me...

É na escuridão da noite
que te sinto.

É no silêncio da vida
que te oiço.

É no meu interior
que te procuro.
Chamas-me
e eu deixo-me ir.
Como onda repetida
num mar
que não me pertence
mas onde eu quero rebentar.

Chama-me...
Chama-me que eu vou
abraçar o teu olhar.

(Vanda Paz, in Brisas do Mar)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Guardo

Guardo uma lágrima
dentro do meu peito,
a última
que caiu.
Guardo-a
para não esquecer
o que sofri.
Para não esquecer
o que por ti
senti.
Guardo uma lágrima
dentro do meu peito,
que se multiplica
e corre
como um rio
num leito esquecido.
À procura
de um mar
para poder descansar.

(Vanda Paz)