A tua voz
Como vês ainda não morri
Mais importante é saberes que te ouço
No silêncio dos dias ausentes
Tens-me sempre aqui
A tua boca minha amiga tudo me diz
Mesmo quando dobrada nos dentes
Se fecha
Desse lado ao lado de ti
Escuto o coração a falar de nós
Adoço o meu caminho
E a pensar em ti
Sigo levando no peito a tua voz
(João Sevivas)
Onde as palavras dos outros se reunem às nossas num espaço de silêncio e reflexão
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quarta-feira, 23 de março de 2011
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009

Dás-me a lua
Empresto-te o meu sol e dás-me a lua
Esfarrapada a caneta ouve a tua voz
E desenho em letras o colorido do teu canto
E fica em mim a maré que a desnuda
Mastigo areia e água
Mar de algas, corais e foz
Manto, sangue e ossos silenciosos e sós
Magoada saudade sem mágoa
É assim a praia mar
Do meu seco peito
Réstea de luz, meu acordar
És tu a quem me vou agarrar
Paz, sono e meu leito
Meu espanto perfeito meu imperfeito amar.
(João Sevivas, in InterAmor)
domingo, 6 de setembro de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
Um tango
Mais um ano
As nuvens haviam entrado no carro
O limpa pára-brisas procurava em montículo de gotas
Uma saída
Algo escapava
Ela estava ali aguentando em lágrimas
O amor desvanecia-se em chuva
Parado o carro dançamos como os outros
Era uma festa de todos
Como todos os dias
Separados num vaivem igual repetido
Um cigarro na varanda trazia o som das ondas
Misturado a um compassado aperto
Fui
As areias eram corpos que empurravam
Ao cheiro de um mar presente
Abri o peito rasgado e sem resguardo
Deste-me a mão
De frente te puseste a meu lado
Nunca te vi tão bela
O mar as ondas mereavam
Um abraço urgente
Que me levou de encontro ao teu peito
E dançamos um tango
Ali na humidade da areia e dos nossos corpos
Um novo ano nascia antes do sol
Uno intenso
Numa madrugada que nunca seria de despedida
(João Sevivas)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A José Gomes Ferreira
Frases de suor e sangue
Poema de gente
Da gente pobre que sofre
Velha criança
Canta gigante
O mistério
Sentiste o pior
E foi com os outros
Que repartiste a esperança
A justiça tem o sabor a gente
Na tua boca
Tem força a solidariedade
A tua sede vem da paz
E em nós
Os teus anseios infinitos
És a terra
Em forma de homem
A gritar pela vida
A tua solidão
Feita da nossa voz
Abraça a verdade
E para nos dares a mão
Vestirias de carne o próprio céu
(João Sevivas)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Para ti
Quando ergui os olhos
Encontrei alguma paz
Cansados na areia
Molhados
Trouxeram-me o mar
Caminhei sobre as ondas
Sem medo de cair
Conhecia o fundo
Era preciso navegar
Era preciso descobrir
O vento cortava a carne
Pesada sem velas
Aumentava a distância
De novo só o ânimo
De inventar outra ilha
De arrastar
A pesada âncora
Mas segui
Até encontrar a praia
Aonde tu estavas à minha espera
E só então compreendi
Que eras a minha liberdade
(João Sevivas)
terça-feira, 9 de junho de 2009
Os teus olhos
São da cor do mar
Mas o mar não tem cor
Tem meu amor o mar tem cor
Olha o céu olha a água achas que o mar tem cor?
O mar é a placenta da vida
O mar é imenso
É azul verde castanho
Não o mar não tem cor
Tem meu amor o mar tem cor
Repara nos teus olhos eles são feitos de mar
E que cor têm os meus olhos?
Meu amor eles têm a cor do mar
Mas o mar não tem cor
Os teus olhos são o próprio mar meu amor
(João Sevivas, in esquinas de vidro)
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