Gritam gaivotas, nasce o dia,
a areia beija a madrugada,
enquanto a lua sucumbe à nostalgia.
A praia vazia, um pescador cansado.
Barcos ao longe ondulam devagar
a esperança cresce, em movimento alado
pára-se o tempo,
engana-se o medo
e depois, logo depois
afundam-se os sonhos
neste mar revolto,
nestas marés vivas
nestes infinitos ecos
de silêncio!
(Olívia Santos, in "Nos teus olhos a janela do tempo")
O silêncio da palavra
Onde as palavras dos outros se reunem às nossas num espaço de silêncio e reflexão
quarta-feira, 6 de maio de 2020
terça-feira, 5 de maio de 2020
Sorriso de luar
Sorri.
Nos teus negros olhos
vejo a noite prateada
pelo luar do teu sorriso.
Contudo, no teu olhar,
há uma névoa de tristeza.
Nada ou ninguém,
com certeza,
merece essa tristeza
do teu olhar.
Nuvens que passam
pelo luar do teu sorriso
na noite do teu olhar.
Sorri.
Afasta, da noite
dos teus olhos negros,
essas nuvens de tristeza,
e faz brilhar
o teu sorriso
de luar,
na sensualidade
dos teus lábios
que esperam a manhã.
Mário Mendes, in "A pena que apenas..."
Nos teus negros olhos
vejo a noite prateada
pelo luar do teu sorriso.
Contudo, no teu olhar,
há uma névoa de tristeza.
Nada ou ninguém,
com certeza,
merece essa tristeza
do teu olhar.
Nuvens que passam
pelo luar do teu sorriso
na noite do teu olhar.
Sorri.
Afasta, da noite
dos teus olhos negros,
essas nuvens de tristeza,
e faz brilhar
o teu sorriso
de luar,
na sensualidade
dos teus lábios
que esperam a manhã.
Mário Mendes, in "A pena que apenas..."
segunda-feira, 4 de maio de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Canção escrita nas areias de Laga
No teu ombro respiro,
Belos são os navios,
altos, estreitos.
Feliz, o teu rosto no meu.
Que luz sobre o teu peito!
altos, estreitos.
Feliz, o teu rosto no meu.
Que luz sobre o teu peito!
No teu ombro respiro.
Belas são as areias,
fulvas de verão.
Feliz, o meu rosto no teu.
Oh tão azul o mar na tua mão!
Belas são as areias,
fulvas de verão.
Feliz, o meu rosto no teu.
Oh tão azul o mar na tua mão!
(Poemas - Eugénio de Andrade)
domingo, 26 de abril de 2020
Presente
Queria neste poema a cor dos teus olhos
e queria em cada verso o som da tua voz:
depois, queria que o poema tivesse a forma
do teu corpo, e que ao contar cada sílaba
os meus dedos encontrassem os teus,
fazendo a soma que acaba no amor.
e queria em cada verso o som da tua voz:
depois, queria que o poema tivesse a forma
do teu corpo, e que ao contar cada sílaba
os meus dedos encontrassem os teus,
fazendo a soma que acaba no amor.
Queria juntar as palavras como os corpos
se juntam, e obedecer à única sintaxe
que dá um sentido à vida; depois,
repetiria todas as palavras que juntei
até perderem o sentido, nesse confuso
murmúrio em que termina o amor.
se juntam, e obedecer à única sintaxe
que dá um sentido à vida; depois,
repetiria todas as palavras que juntei
até perderem o sentido, nesse confuso
murmúrio em que termina o amor.
E queria que a cor dos teus olhos e o som
da tua voz saíssem dos meus versos,
dando-me a forma do teu corpo; depois,
dir-te-ia que já não é preciso contar
as sílabas nem repetir as palavras do poema,
para saber o que significa o amor.
da tua voz saíssem dos meus versos,
dando-me a forma do teu corpo; depois,
dir-te-ia que já não é preciso contar
as sílabas nem repetir as palavras do poema,
para saber o que significa o amor.
Então, dar-te-ia o poema de onde saíste,
como a caixa vazia da memória, e levar-te-ia
pela mão, contando os passos do amor
como a caixa vazia da memória, e levar-te-ia
pela mão, contando os passos do amor
(Nuno Júdice)
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Quero lá saber!
Quero lá saber se é Inverno ou Primavera!
Sinto a vida escorrer entre os meus dedos,
Tremo de frio, de nervoso e de medos
Em busca da mulher que outrora eu era...
Quero lá saber se é tarde ou muito cedo!
O relógio p'ra mim não conta nada...
Se é noite, se é manhã ou madrugada
o calendário esgota-se em segredo.
Quero lá saber se realmente existes!
Felicidade é fumo e ilusão...
Tão depressa a julgamos ter à mão
Como nos foge a rir de nos ver tristes...
Quero lá saber o que é isto que eu sinto
Quando a alma me dói de solidão...
E não me sei achar na multidão
Às voltas neste eterno labirinto...
Quero lá saber se há guerras ou há paz,
Se sou princípio, se sou meio ou fim.
Já não há coração dentro de mim...
Se te amo ou te odeio, tanto faz!
(Helena Rocha, in Beijos e Sorrisos)
Sinto a vida escorrer entre os meus dedos,
Tremo de frio, de nervoso e de medos
Em busca da mulher que outrora eu era...
Quero lá saber se é tarde ou muito cedo!
O relógio p'ra mim não conta nada...
Se é noite, se é manhã ou madrugada
o calendário esgota-se em segredo.
Quero lá saber se realmente existes!
Felicidade é fumo e ilusão...
Tão depressa a julgamos ter à mão
Como nos foge a rir de nos ver tristes...
Quero lá saber o que é isto que eu sinto
Quando a alma me dói de solidão...
E não me sei achar na multidão
Às voltas neste eterno labirinto...
Quero lá saber se há guerras ou há paz,
Se sou princípio, se sou meio ou fim.
Já não há coração dentro de mim...
Se te amo ou te odeio, tanto faz!
(Helena Rocha, in Beijos e Sorrisos)
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto
Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
Cecília Meireles
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