Libertação
Devolvo à terra
O saber sedento da água cristalina
A fecunda criação verdejante
A fresca brisa envolta em neblina
Devolvo à vida
A utopia presa em voo alado
O lamento feito choro suplicante
O presente inteiro gasto em passado
Devolvo-te meu amor
O soneto febril, verso imperfeito
A carícia colada à pele, viajante
O desejo que esculpiste no meu leito
Devolvo-te
Ao prazer de mergulhar em seiva minha
À recusa de saber-me degradante
À triste sorte de me sentir sozinha
Depois...
Lanço a alma ao mar e me liberto
Num acto insano, demente
De querer sorver-te mundo, tão impuro
Renascendo na maré, sentindo gente.
(Maria João de Carvalho Martins, in "Do outro lado do espelho")
O silêncio da palavra
Onde as palavras dos outros se reunem às nossas num espaço de silêncio e reflexão
Domingo, 4 de Março de 2012
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Para onde vais?
Para onde vais?
Perguntas a medo.
Sou leme, sou vela
sou barco sem rumo
que dorme em teu cais
em segredo.
Para onde vais?
Queres mesmo saber...
Vou pintar de água doce
o mar que navegas
com o coração
a bater.
Não me perguntas mais:
Para onde vais?
Irei, serei, aqui e tão só
pedra nua, suave nevoeiro
uma alma que se cola à tua
e assim abraça o mundo inteiro!
(Maria João de Carvalho Martins, in "Do outro lado do espelho")
Para onde vais?
Perguntas a medo.
Sou leme, sou vela
sou barco sem rumo
que dorme em teu cais
em segredo.
Para onde vais?
Queres mesmo saber...
Vou pintar de água doce
o mar que navegas
com o coração
a bater.
Não me perguntas mais:
Para onde vais?
Irei, serei, aqui e tão só
pedra nua, suave nevoeiro
uma alma que se cola à tua
e assim abraça o mundo inteiro!
(Maria João de Carvalho Martins, in "Do outro lado do espelho")
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Infância adiada
as crianças sentam-se no banco
onde não tem jardim
a brincar com o verde
onde não corre a esperança
na manhã que desperta
onde não brilha o sol
num lugar de encruzilhadas
onde não existem caminhos
num sonho de asas inchadas
onde já não há crianças
(Runa)
as crianças sentam-se no banco
onde não tem jardim
a brincar com o verde
onde não corre a esperança
na manhã que desperta
onde não brilha o sol
num lugar de encruzilhadas
onde não existem caminhos
num sonho de asas inchadas
onde já não há crianças
(Runa)
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Runa
Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011
Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida e meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza!
(Miguel Torga)
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida e meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza!
(Miguel Torga)
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Miguel Torga
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
esgota-se o tempo
já não há tempo para que a poesia se dê ao luxo
de passear nos bosques encantados e nos egos poluídos
dos intelectuais de escrivaninha.
já não há tempo para que os versos se ostentem,
bem rimados, construídos, bem ritmados, bonitos,
nos corações vazios da burguesia.
é urgente que as palavras ganhem o peso das pedras,
se revoltem com os que vivem sem poesia e sem pão.
não há tempo para brincar aos poetas, ao depressivo snob en vogue.
só nos resta tempo para que se não nos acabe o tempo,
para que gritemos ainda que não abdicámos do futuro,
com propriedade, ou mesmo sem.
("Pedras contra canhões", do blog letras ígneas)
já não há tempo para que a poesia se dê ao luxo
de passear nos bosques encantados e nos egos poluídos
dos intelectuais de escrivaninha.
já não há tempo para que os versos se ostentem,
bem rimados, construídos, bem ritmados, bonitos,
nos corações vazios da burguesia.
é urgente que as palavras ganhem o peso das pedras,
se revoltem com os que vivem sem poesia e sem pão.
não há tempo para brincar aos poetas, ao depressivo snob en vogue.
só nos resta tempo para que se não nos acabe o tempo,
para que gritemos ainda que não abdicámos do futuro,
com propriedade, ou mesmo sem.
("Pedras contra canhões", do blog letras ígneas)
Sábado, 20 de Agosto de 2011
Singular modo de amar
No contorno fino dos teus lábios
adivinho-te em palavras
protegidas de outros verbos
nuas, frias, lassas
à espera que das minhas, nasçam
os milagres que te confortam.
Mas ouves leves cicios apenas,
da alma que um dia cantou ao vento
em fogo lento
e hoje é gélida ave sem asas
sem penas
presa à inevitabilidade do tempo.
Recuo pois, nas premissas
nas certezas que me lastimam
e concluem o que não posso dar-te.
Beijo-te apenas...
Sigilando no abismo do silêncio
este meu singular modo de amar-te.
(Maria João de Carvalho Martins, in "Do outro lado do espelho")
No contorno fino dos teus lábios
adivinho-te em palavras
protegidas de outros verbos
nuas, frias, lassas
à espera que das minhas, nasçam
os milagres que te confortam.
Mas ouves leves cicios apenas,
da alma que um dia cantou ao vento
em fogo lento
e hoje é gélida ave sem asas
sem penas
presa à inevitabilidade do tempo.
Recuo pois, nas premissas
nas certezas que me lastimam
e concluem o que não posso dar-te.
Beijo-te apenas...
Sigilando no abismo do silêncio
este meu singular modo de amar-te.
(Maria João de Carvalho Martins, in "Do outro lado do espelho")
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